(foto 1)
"América 500 Anos
de Devastação e Saque", 1992
Curva da Jurema, Vitória, Espírito Santo
Foto de Alberto de Carvalho Alves


Instalação "Sonhos" 1990
Foto de Alberto de Carvalho Alves


"Bandeira Nacional"1986
Painel, 2,66mx1,58x6cm.
Coleção partucular

Washington Santana

A Arte do Lixo

Washington Santana é um artista na contramão. Seu trabalho não contemporiza, não faz concessões, não atenua, não alivia. Onde deveria haver perfume, há o cheiro do lixo; onde se espera material nobre, há detritos urbanos; onde se espera suavidade, se encontra força e violência. Porém, esta atitude de oposiGção, de enfrentamento, tem uma delicadeza subliminar que, para um olhar atento, se mostra no conjunto de sua obra. Apesar de serem feitas com latas velhas, imundas, as igrejas de Washington são lindas, acolhedoras e alegres. Sua escultura "Carrossel" (foto 1) é ex-tremamente Iúdica e de um colorido maravilhoso. Mesmo sua critica ao modo como a vida nos massacra ("Os Enforcados" foto 2), tem grande colorido e forma um conjunto bastante equilibrado. Washinton Santana nos mostra o mundo de ponta-cabeça. Por ele já estar invertido, sua visão é,sob certo aspecto, correta. Um revolucionário, um visionário. Um louco! Bravo, Washington.

Alexandre Dórea Ribeiro

Pelo avesso, o lixo é a expressão de uma cidade. Não de sua alma, por certo, mas de seu corpo, daquilo que o reveste por fora e por dentro. É o sintoma de uma cidade, da mesma forma que o produto interno bruto de uma nação ou a renda per capita de um cidadão. O dejeto reflete o padrão econômico, social e cultural de uma cidade. Por isso difere tanto o lixo de Salvador, de New York e de São Paulo. O lixo é problema urbano prioritário e, do ponto de vista politico, virou atestado para o governante. Cidade limpa não é apenas cidade civilizada, mas imagem do seu povo e dos seus representantes políticos. O lixo é paradoxal: dá uma idéia de pobreza, embora seja a expressão evidente da riqueza. No projeto "A Arte do Lixo", o escultor Washington Santana busca realizar toda a dimensão humana, social e estética do residuo urbano. Transformar a sucata em mensagem e a mensagem em obra de arte.

Jorge Cunha Lima

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