E-MAIL

Washington Santana

Conheço Washington Santana há uns seis anos. A primeira impressão que guardo dele é de um jovem obstinado e pretencioso. Obstinação de quem acredita na angústia de suas reflexões. Pretensão de quem tem consciência de sua força criativa. Conheci-o quando procurou-me para apoiar a produSão de sua colorida, gigantesca e polêmica escultura com tubos de polietileno do Dique do Tororó. Daí nasceu uma grande amizade e o meu respeito pelo caráter do homem e o talento do artista. Acompanho-o desde então. Suas inquietações, seus questionamentos, suas perguntas sem resposta e sua vontade de explodir. Pudesse, implodiria o planeta para ver brotar um jardim dos lixos da vida. Washington Santana é o poeta do lixo. E o sociólogo. Sua vocação para andarilho cultural e "badameiro" social Ihe dá uma compreensão realista do ser humano. Dos entuIhos de Canabrava, dos restos do Manicômio de Santa Monica, da imundíeie da periferia de New York e do segmento lixo de São Paulo ele retira essa visão especial da vida. O desperdício da sociedade de consumo, que conhece como poucos, a intimidade dos desníveis sociais na manipulaFão do lixo e a miséria de seus companheiros "badameiros", tudo isso o alucina. De suas alucinaFões emerge o criador. Sua vontade de criar é ilimitada. Washington Santana precisa sempre de novos horizontes. E novos lixos. O lixo é o oxigênio de sua arte. Não me surpreenderia vê-lo fazendo arte e poesia com o lixo da guerra do Oriente Médio. Durante quase um ano, na Usina de Lixo da Marginal Tietê, Washington Santana criou e produziu uma dúzia de esculturas monumentais que têm provocado admiração e polêmiea. Polêmica própria de quem faz arte à frente de seu tempo. Seu trabalho se constitui numa das mais importantes contribuições à escultura.

next

backnext

Os textos disponíveis neste site
podem ser reproduzidos desde que sejam
citados a fonte e os respectivos autores.